Levanto do meu ninho, jogo o ovo que pus ontem na lixeira e saio do quarto, tô tentando evitar ao máximo esse assunto com meus pais. Claro que no primeiro dia em que isso me aconteceu, eu fui chorando falar com eles, desesperada. Mas eu só quero continuar a viver a minha vida, fingindo que ela está exatamente como antes. Fingir que isso não acontece comigo.
Passo pelo espelho do corredor. Meus chifres estão maiores agora e minha dentição está completa. O retrato perfeito de uma dragoa adulta, o tempo passou tão rápido...
[[Ir tomar café da manhã]]<img src="https://static.wixstatic.com/media/96e7a8_75bea45dc3f54061bceb9cd158e44573~mv2.png" width="315" height="250">
[[Jogar]]
<<set $r to 0>>Meus pais são humanos, obviamente. Um casal heterossexual composto por duas pessoas cisgênero, que há alguns anos atrás geraram uma dragoazinha, exatamente como deve ser.
Eles estavam terminando um prato farto de panquecas, com mel e tudo mais, coisa que eu não posso comer por causa do açúcar. Minha dieta é composta apenas de carne, assim como a de qualquer outro dragão.
— Bom dia, querida. Dormiu bem? — Minha mãe me perguntou.
[["— Feito uma pedra."]]
[["— Não"]] <<run Dialog.setup("Aviso:"); Dialog.wiki("Este jogo aborda temas sensíveis como suicídio, aborto e homofobia."); Dialog.open()>>
Acordo após mais um sonho com ela. Não contei pros meus pais, não sei como eles vão reagir, ainda mais agora, que eu finalmente cheguei na fase reprodutora e eles não largam do meu pé.
[[Sair do quarto]]
— Vai querer o que para comer, Minha Lagartixinha?
Meu pai estava de pé, em frente ao depósito que ficava perto da geladeira.
—Boi. — Respondi, simplesmente.
Ele passou pela porta do depósito, carregando com um pouco de esforço um grande pedaço de carne bovina, crua e ainda sangrando. Arremessou o bife, que passou voando pela sala.
Meu pescoço se esticou e eu abocanhei a comida, me concentrando em mastigar.
[[...|1]]Minha mãe fez um breve carinho nas escamas na parte de baixo do meu queixo. Eu não me importava que ela passasse as unhas. Comparada com as minhas garras, a mais feroz de suas coçadinhas que ela desse não faria nada com a minha pele, a não ser esfoliar.
— Quer que a gente te leve para o colégio?
[["— Eu vou sozinha."]]
[["— Pode ser..."]]O portão do colégio era amplo, e todas as salas eram na verdade gramados com telas imensas onde o assunto era projetado. Fui para a minha sala e me sentei em um canto onde a grama já estava morta de tanto aguentar o meu peso diariamente.
O meu professor é humano, o Sr. Bones. Um sujeito gordinho e careca. Ele não é casado e ainda vive com a mãe, uma dragoa velha e carcomida. Todos falam mal dele por não ter filhos. Às vezes eu penso que vou ser igual à ele...
[[Alguém entra na sala.]]Alguém entra na sala. É Maggie.
Ah, eu não sei nem como descrever Maggie...
Uma dragoa da minha idade, porém mil vezes mais bonita. Todas as suas escamas parecem estar dispostas no lugar certo, os chifres delicados, como se tivessem sido esculpidos. Sua coloração era avermelhada, bem diferente da minha, que é bege e sem graça.
O seu corpo é magro e ágil, com as asas amplas. A dentição é branquinha e já tinha se tornado completa faz um tempo. Todos os dragões que atingiram a fase reprodutora viviam encima dela, mas ela nunca pôs nenhum ovo fecundado.
— Bom dia, Daisy.
[["— Bom dia, Maggie."]]Existem escolas para os dragões e escolas para os humanos. Nossos modos de aprender são diferentes e os de trabalhar são mais ainda. Existem empregos específicos para humanos e mas principalmente para os dragões.
Isso porque nós, dragões, não possuímos polegares nem coordenação motora fina, além de atingirmos a maturidade mais rápido, e os humanos são muito fraquinhos para carregar peso e não podem sair voando por aí.
Quando você é um dragão, só existem duas vertentes que você pode seguir.
Você pode se tornar um pensador, quem usa a capacidade de retensão de memória e alto intelecto para ajudar os humanos em empresas, por exemplo, na realização de cálculos complexos. Ou você pode exercer uma função que aproveite melhor o seu corpo de dragão. Ser soldado, cargueiro, segurança, transporte.
Basicamente você tem que escolher entre usar o cérebro ou os músculos, não existem opções que mesclem os dois. E agora temos poucos meses para decidir o que queremos fazer pelo resto de nossas vidas agora. Estamos quase terminando os estudos.
[[...|continuar]]Antes os filhos humanos dos dragões eram desvalorizados na sociedade, quer dizer, no início dela, quando o importante era apenas caçar. Como eu disse antes, dragões podem ser muito inteligentes, sim. Eles só não conseguiam criar maneira de registrar suas ideias ou desenvolver ferramentas.
Esse papel ficou para os humanos, que com suas mãozinhas criaram instrumentos cada vez mais complexos, que fizeram a sociedade realmente progredir.
Veja, não existe uma rixa entre humanos e dragões, até porque seria quase impossível todos sentirem ódio dos próprios pais e dos próprios filhos. Acho que essa é a vantagem da alternância de gerações. Se não dependêssemos uns dos outros para sobreviver, provavelmente haveria uma matança por causa das nossas diferenças.
[[...|continua]]O chato da gente funcionar assim, de dependermos tanto uns dos outros é a cobrança. É bem comum que meus pais esperem que eu tenha filhos, todos os pais querem isso.
Pais dragões esperam netos dragões para ensiná-los a voar, coisas que eles não puderam fazer com os filhos, por serem humanos. Por isso que eu tenho mais ligação com a minha avó.
Assim como pais humanos querem muito netos humanos, para que eles possam... jogar videogame juntos, ou sei lá o que humanos fazem pra se divertir...
[[...|continue]]Eu não quero ter filhos, pelo menos, não biológicos. Eu odiei quando comecei a ovular, tenho medo que um ovo quebre dentro da minha barriga ou seu lá. A ideia de um macho em cima de mim, me fecundando, também me assusta muito.
Outra coisa, eu ainda não contei para os meus pais que gosto de garotas, o que já diminui bastante a minha chance de acabar colocando um ovo fecundado.
Eu quero passar bem longe de qualquer macho, eles me dão medo. Mas eu não sei o que é maior, o medo de macho ou o da reprovação por parte de meus pais...
Minha primeira ovulação veio tarde, e agora que finalmente aconteceu, o peso da cobrança dos meus pais pra que eu tenha um lindo bebezinho humano está caindo todo encima de mim.
[[O sinal toca]]<<set $janny = false>>
<<set $maggie = false>>O sinal para a liberação toca, a aula passou mais rápido do que eu imaginei. Bem... eu não prestei muita atenção.
Outra coisa que acontece nas escolas para dragões: nossas aulas são curtíssimas se comparadas com as dos humanos. Acho que é porque não podemos fazer dever de casa escrito.
Vejo Maggie saindo da sala. Um dragão está acompanhando ela.
Do canto da sala, vejo Janny me chamando.
[[Seguir Maggie]]
[[Ir falar com Janny]]<<set $maggie = true>><<set $love to 1>>Faço um sinal para Janny, dizendo que conversamos mais tarde e sigo Maggie. Um dragão macho imponente está ao lado dela. Suas escamas são cinzentas e o corpo tem algumas cicatrizes das brigas que ele se mete.
— Tá afim de ir no lago nadar e comer alguns peixes? — Ele propõe a ela e eu tenho a impressão de que não deveria me meter na conversa.
— Quem sabe outra hora, Frank. — Ela me olha, a sua expressão é de alívio. — Ah, oi, Daisy!
Maggie se junta a mim para escapar dele.
— Ele está atrás de mim há semanas... — Ela fala em tom baixo assim que ele se afasta.
[["— E você não tá afim?"]]
—Daisy! Eu preciso falar com você...
[[— O que aconteceu???]]Esse tempo todo eu a observava de longe, sem ter coragem de conversar muito com ela. E agora ela me diz que não gosta de machos. Não consigo me mexer.
[["- Ah..."]]
[["— Eu também não!"]]
— Feito uma pedra. — Respondi, gentil.
— Que bom.
[[...]]<<set $r += 1>>— Não. — Respondi, ríspida. Pensei no sonho que tive.
— Devem ser os hormônios... — Ela insinuou. Aquilo me fez revirar os olhos.
[[...]]
<<set $r += 1>>— Eu vou sozinha. — Respondi.
Se eu tivesse dito sim, eu teria que ir caminhando junto com eles, já que humanos não voam de modo natural. Seria uma perda de tempo, mas em outras situações eu até me sujeitaria a isso. O problema é que o clima está estranho entre nós... por causa da ovulação...
O tempo de deslocamento é minúsculo voando, e logo eu já estava na frente da escola.
[[...|Entrada]]— Pode ser... — Respondi, meio desanimada.
Fomos caminhando pela vizinhança, já que eu não caibo no carro. Vários dragões e humanos caminhavam lado a lado pelas calçadas. Ultimamente eu venho tentado evitar os meus pais... eles sempre vêm com um papo estranho de...
— Daisy, querida.
— O que foi, pai?
— Há alguém que você goste na escola?
[["— Sim."]]
[["— Não!"]]— Sim.
— O que acha de um dia levá-lo para casa, queremos conhecê-lo.
E que comecem os ritos para o casamento...
[["— Ele ainda não sabe que eu gosto dele."]]
[["— Depois a gente fala disso, okay?"]]—Ele ainda não sabe que eu gosto dele.
—Oh. — Minha mãe pareceu impressionada, mas ao mesmo tempo satisfeita. — E quando é que você pretende contar para ele.
Eu achava que inventando aquela desculpa eu iria conseguir escapar dessa conversa, mas aparentemente não deu certo. Eles vivem encima de mim, chega a ser sufocante...
[["— Depois a gente fala disso, okay?"]]— Depois a gente fala disso, okay? — Minha voz soou irritada.
Os dois perceberam o meu tom e se calaram.
— Tudo bem... — Meu pai parecia se divertir com o fato de eu estar "Bravinha".
Eu fazia de tudo para que a fumaça não escapasse pelas minhas narinas, mas já sentia a minha garganta começando a esquentar.
— Chegamos. — Agora ele é que parecia querer escapar da conversa, me dispensou assim que nos aproximamos do portão dá escola. — Boa aula, filha.
Meu pai deu dois tapinhas em meu lombo ao se despedir, minha mãe apenas o seguiu, retraída.
[[...|Entrada]]— B-bom dia, M-maggie... — A frase que parecia se formar perfeitamente na minha cabeça saiu gaguejada da minha boca.
Maggie me olhou com aquelas pupilas em fenda, rodeadas por íris amareladas. Era como se eu pudesse ver algo em seu interior. Como se quisesse me dizer algo.
— Certo, pessoal, vamos dar início à aula de hoje, que será basicamente uma revisão do que vemos neste semestre.
Sr. Bones falou em um megafone, sua voz se espalhou por todo o terreno que constituía a sala.
Maggie se sentou ao meu lado, me controlei para não tremer de nervosismo.
[[...|aula]]— E você não tá afim? — É assim que dragoas hétero se comunicam? Eu não sei, parece que não absorvi nada da minha convivência com Janny.
Quero me esconder de tanta vergonha que sinto.
— Não gosto de machos. — Ela disse, com a maior leveza do mundo.
[[???]]
— Ah... — Não sei o que dizer.
— Não tá me julgando, né? — Ela vira o seu longo pescoço para trás, me olhando, esperando que eu volte a andar.
— N-não, claro que não!
[["— Eu também sou assim."|"— Eu também não!"]]
[["— É só que... eu não esperava..."]]<<set $love += 1>>Maggie se virou, ela parecia me olhar diferente agora.
— Sério? — Disse.
Até a sua voz parecia mudada.
[["— Só não conta pra ninguém, okay?"]]
[["— Sim..."]]
[["— Tô zoando!"]]<<set $love -= 1>>— È só que... eu não esperava..."
Ela sorriu brevemente. Eu estava impressionada com a leveza com a qual ela tratava o assunto.
— Tudo bem. Isso ainda não é visto como um comportamento muito comum.
<<if $janny == true>>— Então...
[[...|terminar]]<</if>>
<<if $janny == false>>— Daisy!
[[???|?]]<</if>>— Só não conta pra ninguém, okay?
— O que você acha que eu sou? Algum tipo de monstro? — Ela fingiu seriedade.
A verdade é que eu não sabia quem ela era de verdade. Como havia dito antes, eu não era muito próxima dela, apenas a admirava, mantendo uma certa distância.
Eu não sei o que foi que me fascinou em Maggie. Diria que talvez seja apenas o jeito dela de... ser.
<<if $janny == true>>— Então...
[[...|terminar]]<</if>>
<<if $janny == false>>— Daisy!
[[???|?]]<</if>><<set $love += 1>>— Sim... — Eu disse, timidamente.
Sua expressão pareceu ser de pena.
— Oh, Daisy... você parece meio... — Maggie tentava encontrar palavras. — ...frustrada...
— É só que...
<<if $janny == true>>— Então...
[[...|terminar]]<</if>>
<<if $janny == false>>— Daisy!
[[???|?]]<</if>><<set $love -= 1>>— Tô zoando!
Senti o meu coração apertar ao falar isso, mas eu precisava me proteger.
— Você é péssima, sabia? — Maggie revirou os olhos, rindo. Ela parecia se divertir.
<<if $janny == true>>— Então...
[[...|terminar]]<</if>>
<<if $janny == false>>— Daisy!
[[???|?]]<</if>><<set $r += 1>>— Não!
— É importante que você encontre um parceiro, minha filha.
Minha mãe pareceu insistir no assunto. Eu revirei os olhos, estava ficando desconfortável. Era por isso que eu não queria a companhia deles.
[["— Depois a gente fala disso, okay?"]] Maggie já tinha ido embora.
— Daisy! Por que você me ignorou?
— Eu... precisava falar com a Maggie. — Inventei uma desculpa.
— Sobre...? — Ao ver que eu estava me enrolando para responder, ela continuou. — Quer saber, deixa pra lá. Eu preciso falar com você, agora.
[[— O que aconteceu???]]— Eu tenho que ir, okay? — Maggie me disse.
Talvez ela estivesse apressada. Parecia estar nervosa com alguma coisa... não que eu também não estivesse... nervosa... com a presença dela...
— Foi bom o papo. — Falou por fim. — A gente se vê por aí!
[[...|saída]]<<set $janny = true>>
— O que aconteceu???
Janny me olhou, séria, para depois revelar:
— Eu pus um ovo. — Ela viu que eu ainda não tinha emitindo reação alguma, então continuou, para ser mais clara: — Eu pus um ovo fecundado.
— o que você vai fazer agora?! — Eu quase gritei.
— Será que você pode falar mais baixo, por favor? — Ela quase sussurrava.
[["— Okay..."]]— Okay... — Eu fui para o mesmo tom que o dela e repeti o que disse: — O que você vai fazer agora?!
— Eu chequei se no ovo tinha embrião colocando ele contra uma luz forte. Fui chorando contar pros meus pais, mas é óbvio que eles não ficaram chateados.
Os pais de Janny eram iguaizinhos aos meus. Ela era a minha melhor amiga desde sempre e nossos pais também eram amigos. Não demoraria muito para que a notícia chegasse até dentro da minha casa.
Eu entendo que Janny esteja nervosa, mas pensando bem, ela não vai ser julgada de maneira alguma. Foi encorajada a vida toda a fazer o que fez.
[["— Como isso foi acontecer?"]]— Como isso foi acontecer?
Os ombros dela murcharam e ela suspirou.
— O Brad me pressionou. — Brad era o namorado dela. Eu não ia muito com a cara dele, mas ela gostava. — Meus pais vão cuidar do bebê. Eles estão muito felizes, compraram até uma chocadeira e tudo mais, pra que eu continue estudando e não precise deixar de vir pro colégio pra chocar o ovo.
— E você está feliz com isso? — Perguntei, receosa.
— Acho que sim. — Respondeu tranquila, ela parecia usar uma máscara.
[[Bem...]]Bem... eu espero que eu não seja a única dragoa que pensa em como seria fácil quebrar um ovo fecundado, caso a mãe não queira ter o bebê. Ninguém nunca fala sobre isso.
Claro que tem os que quebram por acidente, quando não sabem que ele está fecundado, ou por desleixo dos pais. Quando isso acontece, os pais são rechaçados, tratados como eternos irresponsáveis por todo mundo.
Olha, acho que não seria considerado assassinato. O embrião no ovo ainda não é uma vida, e ovos quebram de vez em quando, é normal. Acho que eu faria isso...
Obviamente eu não vou sugerir isso pra ela, Janny iria me chamar de doida.
[[— Daisy...]]— Daisy... — Ela continuou. — Isso me lembra que eu encontrei um negócio que talvez você vá gostar.
Eu arregalei os olhos, mostrando que agora estava atenta.
— Um grupo de dragoas da nossa idade que conversam sobre os direitos reprodutivos das dragoas. Elas têm algumas ideias bem... inovadoras.
Eu ainda não havia contado pra Janny que gostava de fêmeas. Não tinha coragem e não sabia o que ela poderia falar, talvez a nossa amizade ficasse esquisita depois disso. Só comentei uma vez ou outra que eu não sentia muita vontade de... me reproduzir.
[[Janny voltou a cochichar]]
Janny voltou a cochichar, ela se aproximou ainda mais, como se o que fosse me contar fosse altamente confidencial.
—Eu soube até que algumas delas... até já... quebraram ovos... fecundados.
Fingi surpresa, mas o interesse era genuíno. Ela parecia ter lido a minha mente.
— Eu ainda não tive... coragem de ir. Mas imaginei que você fosse gostar.
[[Brad se distanciou de um grupo de amigos e veio se juntar a nós]]Brad se distanciou de um grupo de amigos e veio se juntar a nós
— Tão falando do quê? — Ele se intrometeu.
— Nada não... — Eu não sabia o que dizer.
— Coisa de dragoa. — Mas é claro que Janny sabia como convencê-lo.
Ele estava com o corpo colado no dela, pelos ombros. As asas apoiadas em suas costas.
— Vamo? — Disse, simplesmente e Janny assentiu.
— Depois a gente se fala mais. — Ela me olhou como se transmitisse a verdadeira mensagem pelo olhar.
Mais tarde ela iria me passar o endereço e o local onde o grupo se reúne.
<<if $maggie == true>>— Tchau!
[[...|saída]]<</if>>
<<if $maggie == false>>— Daisy!
[[???|Seguir Maggie]]<</if>>E agora eu estava novamente sozinha no portão do colégio. Meus pais não estavam me esperando sinal de que eu deveria retornar voando para casa.
Na verdade, acho que um voo pode me ajudar a espairecer.
Estiquei as asas depois de ficar muito tempo sentada e me ergui aos céus.
[[...|céu]]Não era como se o céu estivesse muito cheio. Haviam alguns dragões voando aqui e ali, e pouquíssimos prédios para desviar. O vento aos poucos ia fazendo mais força contra as minhas escamas e era bom sentir ele na pele mais fina das minhas asas.
Fui subindo cada vez mais.
As nuvens deixavam a minha visão turva e o ar umidificado entrava nas minhas narinas, abri um pouco a boca para "comer" um pedaço de nuvem.
Arrisquei um loop.
[[...|bad]]Quem eu estava querendo enganar? De uma maneira ou outra, eu teria que chegar em casa e em algum momento resolver isso.
A menos que eu fugisse... Não! Eu amo os meus pais. Só tenho que apontar pra eles alguns comportamentos que me incomodam.
Se eu não contar pra eles, eu teria que escolher entre viver em segredo (o que seria quase impossível, já que nessa cidade o que mais circula é fofoca) ou não me relacionar com ninguém. Viver igual ao Sr. Bones.
As duas opções não me parecem justas. Eu só queria não ter que esconder isso de ninguém.
[[...|pouso]]Cortei o vento para uma decida rápida, de cabeça.
E se eu não abrisse as asas...? Não! Ainda tenho amor pela minha vida também. Quero morrer de velha e não estabacada do chão após cair de propósito de um vôo.
Abro as asas, que bloqueiam o ar e me fazem descer lentamente os metros finais. Logo, eu estava na frente da minha casa.
Passei pela porta.
[[...|porta]]— Boa tarde, filha. — Meu pai disse, simpático.
Do jeito que eu estava paranoica, conseguia imaginar ele falando algo sobre eu arranjar um namorado logo depois dessa frase, mas pra minha sorte ele permaneceu em silêncio.
Agora ele puxava um pedaço de carne muito maior que o que eu comi de pela manhã. O pedaço foi depositado em uma mesa de pedra que eu tinha só pra mim.
Depois disso ele lavou as mãos e pôs a mesa para ele e minha mãe. Eu já devorava o meu almoço, aos poucos deixando apenas a ossada. Minha mãe se juntou a nós e eles comeram pratos muito elaborados, com folhas e mais coisas que eu não podia comer.
Comemos todos em silêncio.
[["— Mãe... pai..."]]— Mãe... pai...
— Diga, minha querida. — Minha mãe me olhou curiosa.
[["— Me chateia muito vocês me dizendo o tempo inteiro que eu tenho que arranjar um namorado."]]
[["— Eu não quero ter filhotes."]]
[["— Eu gosto de fêmeas."]]— Me chateia muito vocês me dizendo o tempo inteiro que eu tenho que arranjar um namorado. — Não sei se deveria ter dito deste modo.
— Como? — Minha mãe deu piscadas nervosas.
— Eu não gosto...
— Filha... — Meu pai parecia preocupado. — Você é uma dragoa linda. Alguma hora os dragões vão notar o quando você é especial.
— Não é isso, é que...
[[Diga pra eles, diga agora!|"— Eu gosto de fêmeas."]]
[["— Deixa pra lá..."]]— Eu gosto de fêmeas.
<<if $r >= 2>>
Meus pais me encaravam, a pele do meu pai foi tomando uma tonalidade mais avermelhada, ele estava irritado. Minha mãe chorava muito.
Nenhum deles avançou, pois sabiam que eu era muito mais forte. Mas aposto que se eu fosse que nem eles, teria apanhado.
Eu apenas ouvia os gritos, minha mente ficou nublada, não entendia quase nada das atrocidades que estavam falando.
Não pareciam as pessoas que cuidaram de mim a vida toda.
Olhei para a porta novamente, só pensava em uma coisa.
[[...|fuga]]
<<else>>
Eles pareceram decepcionados.
— A gente já sabia... — Minha mãe disse, com um semblante triste.
Os ombros do meu pai estavam baixos enquanto ele encarava um ponto fixo na parede de casa.
— Estávamos apenas esperando você contar.
Tive vontade de chorar, embora eu soubesse que o meu corpo não era capaz de fazer isso. Caminhei para perto deles, com a cabeça baixa.
Minha mãe fez carinho em minhas escamas
[[...|Final Bom]]<</if>>— E eu não posso adotar?
Adoção ainda era um tabu nesta casa. Quer dizer, no mundo todo. eram poucas as pessoas que faziam isso. haviam mais órfãos humanos do que dragões. Mas esses em menor número eram tratados de maneira muito pior, talvez pela mente coletiva ver facilidade em pôr um ovo, e também na criação de um dragão.
Haviam histórias de dragões órfãos que voavam para longe, onde não havia civilização. Se tornavam selvagens, chegavam até a devorar humanos. Por isso estrutura de uma família completa é tão bem vista, pra evitar esse tipo de coisa.
— Mas pra quê adotar se você é uma dragoa saudável que pode gerar os seus próprios filhotes? — Meu pai disse, seguido por minha mãe.
— Filha, nós não estamos entendendo...
[["— Deixa pra lá..."]]— Eu não quero ter filhos.
— O que disse? — Minha mãe parecia ter recebido uma facada.
— Eu não sei... só não quero...
— Filha... — Meu pai queria me tranquilizar. — Você é muito jovem ainda, se não sente vontade agora, vai sentir quando estiver um pouco mais velha.
— Um filho é a coisa mais especial na vida de alguém. — Minha mãe parecia se referia à mim, mas eu já não tinha mais certeza disso.
[["— E eu não posso adotar?"]]
[["— Deixa pra lá..."]] —Deixa pra lá...
Vou caminhando até o meu quarto e bato a porta usando a cauda. Não era a minha intenção batê-la forte, mas foi o que aconteceu.
Me deito em meu ninho.
[[...|Final Neutro Deixou pra lá]]Dou uma última olhada neles, esperando que eles me acolham.
Não é o que acontece.
Saio apressada pela porta, quase correndo. Pego velocidade para levantar vôo.
<<if $love >= 2>>
Olho para baixo, consigo avistar Maggie sozinha. O que eu vou fazer agora é burrice, mas...
[[...|Maggie]]
<<else>>
Subo ainda mais nos céus, meu grito de dor se transformando em um rugido.
Quero ir para longe, o mais longe possível...
Agora eu sou órfã.
[[...|Final triste]]
<</if>>FINAL BOM:
Saiu do armário
Com um pouco de sofrimento, os seus pais te aceitaram como você verdadeiramente é.
[[Obrigado por jogar]] FINAL NEUTRO:
Deixa pra lá
Você deixou pra lá, sua vida continua a mesma de antes.
[[Obrigado por jogar]] Pouso em frente à Maggie. Ela percebe o quanto eu estou transtornada.
— Daisy? O que houve?!
— Eu fugi de casa, Maggie. Meus pais... eles...
Uma fumaça branca saía das minhas narinas.
— Ei... ei, calma... — Ela não sabia o que fazer.
Maggie se aproximou de mim e deixou que eu encostasse o meu pescoço no seu.
— Vamos dar um jeito nisso, okay?
[[...|Final Neutro Maggie]]FINAL RUIM:
Órfã
Você fugiu sozinha do mundo que conhece.
[[Obrigado por jogar]] FINAL NEUTRO:
Fuga
Você fugiu de casa, mas se juntou à Maggie.
[[Obrigado por jogar]]Muito obrigado por jogar!
Este jogo foi feito por Lucas M. T. para a Game Jaaj 6.
[[Recomeçar|Passagem Sem Nome 1]]