Abro meus olhos e enxergo uma densa neblina, o medo toma conta de mim quando percebo que estou com as mãos amarradas e estou pé na proa de uma canoa, há alguém respirando profundamente atrás de mim, como se estivesse demasiadamente cansado, sinto meus pêlos da nuca arrepiarem, será que eu olho para trás?
[[Olhar para trás]]
[[Não olhar para trás]]Vejo uma figura pálida, com roupas poídas, com um sorriso no canto da boca, olhos grandes e muito escuros me observando despreocupada, como se soubesse bem o que faz, ela aponta com um braço decrépito o horizonte à frente da embarcação. Enxergo uma ilha a se projetar, pequena demais para sequer um povoado existir ali. A embarcação vai se aproximando... E a criatura me empurra a uns dez metros de distância da margem, com as mãos amarradas eu afundo e sinto a vida desaparecer do meu corpo.
[[Tentar se libertar]]
[[Afundar e se entregar]]Continuo a enxergar apenas a neblina e tento canalizar minha atenção ao som da água, o medo começa a passar lentamente e logo imagino que o que quer que haja atrás de mim, está me levando a algum lugar. É quando vejo se projetar à frente uma ilha que parece grande o suficiente para animais e povoados coexistirem. Embora o medo ainda me tome, sinto que há um propósito naquela situação. O barco atraca, desembarco na margem, uma praia com milhares de carangueijos mortos, de casca preta, à esquerda e à direita, marcam o caminho que eu devo seguir.
[[Dar meia-volta]]
[[Seguir em frente|Seguir em frente #1]]Percebo que a corda que amarra meus punhos não é tão resistente quanto parece e então começo a agitar as mãos desesperadamente, é quando finalmente as fibras começam a romper e, embora eu sinta meu pulmão arder com a água densa e escura entrando nele. Há um lampejo de esperança e finalmente minhas mãos se movem em direções diferentes, é quando começo a nadar rumando [[o barco]] ou [[a terra firme|Seguir em frente #4]].Você sente seus pulmões se encherem da água densa e turva, preferia levar um tiro na cabeça do que sentir tamanha dor, era como se o líquido fosse soda cáustica e lhe corroesse por dentro. Naquele momento você se sentiu a pior pessoa do mundo e lamentou pelos que lhe amavam. Mas no último suspiro respirou o último volume d'água que era necessário para encerrar seu sofirmento, desistir era o que podia se esperar de um perdedor.
[[fechar os olhos|Acordar Dia#1]]Vejo à um palmo de distância, uma figura pálida, com roupas poídas, há um sorriso no canto do que poderia ter sido um dia uma boca normal, olhos grandes e muito escuros estão me fitando com incômoda concentração. Em menos de um segundo a figura bizzara tira de algum bolso no emaranhado de costuras uma forma arredondada de metal maciço, e me oferece a peça, eu a apanho, juntamente com um pouco da carne putrefata que se desprendia daquela mão.
[[Examinar o objeto|examina o item]]
[[Guardar o item e seguir em frente|Seguir em frente #1]]Com um aceno de gratidão, observo um breve vínculo que se formou com aquela figura estranha. Me viro e [[sigo adiante|saindo da praia #1]] no caminho à frente, a areia era branca e brilhante, mais parecia sal grosso. As cascas eram como ébano derretido e lançado ali para secar, o cheiro era forte semelhante ao de chumbo, ardia a cada inspiração.Como é deliciosa essa fúria com a qual eu nado, é como se esse mar de piche fosse meu combustível. Preciso agarrar a borda da canoa! É quando me deparo com a figura deprimente do barqueiro que arfava como eu arfei quando tive efisema pulmonar flertei com a morte quando jovem. Ao olhar profundamente nos olhos do monstro, eu agarro em sua garganta e decido se [[jogo o barqueiro ao mar]], para que ele sinta o que eu senti ou se tiro o resto de vida que lhe sobra [[enforcando criatura ali mesmo]].Sua garganta possui um musgo que penetra entre minhas unhas, estou cansado desse drama, atiro aquela criatura absurda ao mar e o deixo sofrer pelo que me provocou, certamente ele não terá fôlego suficiente para nadar. Agora apanho os remos e [[sigo para a ilha|Seguir em frente #2]].Por um instante penso no que poderia compor o revestimento daquele monstro, ao sentir o musgo penetrando entre minhas unhas, vermes do tamanho de um polegar cairam de sua jugular direto nas mangas da minha camisa, foi nessa hora que olhei para baixo e percebi que eu vestia a farda da empresa a qual dediquei boa parte da minha vida. Ao olhar novamente para cima, a criatura me mostrava um item que logo reconheci... Era o pistão do fusca que meu avô dirigia quando jovem, esta era uma das duas lembranças que eu tinha dele. Minhas mãos vacilaram e neste momento apenas agarrei o item e abandonei a criatura a seu destino. Ao afundar novamente no mar eu [[sigo para a ilha|Seguir em frente #3]].Uma peça cilíndrica, oca de metal escuro e pesado. As iniciais WF entregam a procedência do item: é o pistão do fusca que meu avô dirigia, ao se aposentar ele usou essa peça como cinzeiro.
[[Guardar o item|Seguir em frente #1]]O cheiro de café invade minhas narinas... Agora eu me permito um leve sorriso, a pessoa que eu amo provavelmente já foi trabalhar e deixou o café pronto. Me levanto e vejo o sombrio amanhecer pela janela quadrada de persianas laranjas, aproximadamente 2x2m me permitiam ver o a rua do meu apartamento, em um bairro pobre dessa cidade grande, são 6h00 mas o céu é escuro, muitas pessoas caminham lá embaixo e a chuva ácida do dia anterior já começa a cair naquele vapor de poluição vejo o neon dos motéis à frente da minha casa brilharem em triste policromia, me dá uma vontade de...
[[acender um cigarro|cigarro]]
[[caminhar à cozinha e apanhar um café|café]]Há um vale adiante, com espinhos que brotam das paredes à esquerda e à direita. Ao centro, há cerca de uns vinte metros existe o que parece uma clareira, me parece ser uma caminhada curta até ali. Sigo e percebo que a escuridão se adensa, impedindo que eu enxergue a claridade que havia no fim daquele caminho. Checo meus bolsos em busca do [[meu isqueiro|isqueiro #2 (sem pistão)]] para iluminar o ambiente.Muita gente realiza seus sonhos nessa cidade... Me aperta o peito não conseguir realizar meus sonhos muito embora esteja feliz por meus amigos e parentes. O que há de errado comigo? Emprego fixo, estabilidade, um casamento perfeito e relativamente uma boa moradia...
[[acender o cigarro]]
[[continuar pensando]]Caminho à cozinha, a porta do meu escritório está aberta...
[[Seguir à cozinha]]
[[Entrar no escritório]]Com um aperto no coração, alcanço a margem da praia e sinto uma tristeza profunda pelo que fiz àquela figura estranha. Nesse momento [[sigo adiante|saindo da praia #2]], a areia era branca e brilhante, mais parecia sal grosso. As cascas eram como ébano derretido e lançado ali para secar, o cheiro era forte e semelhante ao de gasolina, ardia a cada inspiração.Há um vale adiante, com espinhos que brotam das paredes à esquerda e à direita. Ao centro, há cerca de uns vinte metros existe o que parece uma clareira, me parece ser uma caminhada curta até ali. Sigo e percebo que a escuridão se adensa, impedindo que eu enxergue a claridade que havia no fim daquele caminho. Checo meus bolsos em busca do [[meu isqueiro|isqueiro #1 (com pistão)]] para iluminar o ambiente.À distância, com um aceno de gratidão, observo um breve vínculo que se formou com aquela figura estranha que me observava um tanto assustada em sua embarcação. Me viro e [[sigo adiante|saindo da praia #1]] no caminho à frente, a areia era branca e brilhante, mais parecia sal grosso. As cascas eram como ébano derretido e lançado ali para secar, o cheiro era forte e embora parecido, era mais forte do que gasolina, ardia a cada inspiração.Ao acender o isqueiro percebo que os espinhos se contraem, logo me sinto muito seguro e acendo o isqueiro caminhando tranquilamente, sete passos depois, percebo que a chama está escassa, prestes a acabar... É então me desespero e corro na travessia por aquele vale da morte. Mais sete passos, começo a vislumbrar a clareira adiante, há figuras estranhas ali, em um círculo, com suas cabeças ligadas a algo ao centro... Vou conseguir, eu sei! [[Sempre consigo o que eu quero|Morte por espinhos]].Ao acender o isqueiro percebo que a chama está escassa, prestes a acabar e provavelmente não aguentaria a travessia por aquele vale da morte. Então experimento apanhar um pouco daquelas cascas estranhas ao chão, depoisitar no cinzeiro e acender com um pouco do isqueiro. Logo uma pequena e intensa chama surge, contraindo os espinhos da parede. Me sinto alegre por não ter matado o barqueiro e [[sigo em frente|A clareira]].Um passo a mais, faltavam apenas mais três ou cinco... Sinto meu corpo ser atravessado lentamente por espinhos grossos e pontiagudos, eles dilaceram minha carne e quase sinto as fibras dos meus músculos abrindo espaço para aquela corrupção desconhecida... Eu deveria ter esperado, pensado, raciocinado antes de agir. No último suspiro vi dois espinhos se retorcerem em direção aos meus olhos, [[desistir|Acordar Dia#1]] era o que podia se esperar de um perdedor.Apanho a xícara da minha infância, uma Marinex transparente já arranhada pelo tempo, era com ela que eu me sentava à mesa com minha avó, sempre sentada à cabeceira e trocava figuras sobre como meu dia havia sido. Ela foi minha professora na escola pública e sempre disse para que eu prestasse atenção àquela pessoa em minha classe. Que viria a ser quem amo e com quem vivo.
Botei um bom bocado daquele café que eu sabia que era feito com amor, muito embora não fosse mais o amor de minha avó e bebi até a última gota, aquilo me deu felicidade por alguns instantes. Foi quando olhei [[para a janela|cigarro]] e a [[porta do meu escritório|Entrar no escritório]]. Decidi caminhar até algum dos dois.
O telefone toca exatamente neste momento.
[[Atender?|Atender?]]A janela da sala iluminava o lado esquerdo do meu escritório, sombras cobriam o lado direito. Ao centro o primeiro computador com que eu comecei minha carreira de designer repousava, quando eu trabalhava em um freela era nele em que eu trabalhava. Agora estava fechado, eu ainda tinha algum tempo, então pensei em dar uma olhada no local.
[[Esquerda]]
[[Direita]]
[[Computador]]
[[Me arrumar para ir trabalhar|Banheiro]]Ao caminhar lentamente clareira adentro, encontro três figuras etéreas as três me observam, meu peito aperta pois elas eram esguias e todas vestiam preto. A primeira tinha escaras e vermes que lhe desciam pelo rosto, ela foi a primeira a se aproximar de mim. Senti vontade de gritar e me esconder, a aflição que seus movimentos me causavam era enorme.
[[Dar um passo para trás|Para trás]]
[[Permanecer onde está|Diálogo com o Medo]]Com um aperto no coração, alcanço a margem da praia e sinto uma tristeza profunda vindo dos olhos da criatura ao horizonte. Nesse momento [[sigo adiante|saindo da praia #2]], a areia era branca e brilhante, mais parecia sal grosso. As cascas eram como ébano derretido e lançado ali para secar, o cheiro era forte e semelhante ao de gasolina, ardia a cada inspiração.O problema sou eu... Só pode ser eu...
(2 horas depois)
Preciso me arrumar, embora tenha ficado até tarde ontem, isso não significa que eu possa me atrasar demais.
[[Tomar banho|Banheiro]]Não valho muito aparentemente, sou mais um na manada e muito embora eu tenha uma visão para ajudar a todos, não tenho tempo para me dedicar a isso.
O microsystem diz;
Now playing - "Jimmy Ruffin - What Becomes of the Brokenhearted"
Depois de um longo trago eu lembro de tudo. A escola, a amizade que durou até essa idade, meu melhor amigo que virou meu chefe. A melhor amiga de classe que virou minha esposa. A infância feliz embora ralada... A familia unida e a felicidade em saber que todos estavam bem embora alguns tivessem partido desse mundo. Os prazeres de jogar videogame quando jovem e todo o poder que era possível ver naquilo, uma nova economia, uma vida, meus sonhos, tudo sendo realizado por meio daquele tipo de mídia... Era isso, o sonho de uma vida toda foi criado encima do videogame e aparentemente ter um emprego já não era o bastante. Já se iam cinco anos de firma sem nenhuma expectativa de crescimento.
Lembrei dos amigos de coworking sempre dizendo ter um lugar reservado para quando eu estivesse pronto para o sonho.
Lembrei da psicóloga se perguntando o que eu ainda fazia naquele emprego com todo o potencial que ela enxergava em mim.
Lembrei do meu amor olhando com olhos perolados acreditando que tudo era possível desde que eu enfrentasse meus medos.
Foi quando queimei meu dedo com o quinto cigarro. Já havia passado meia hora, [[eu devia me arrumar|Banheiro]].Ligo o chuveiro no máximo de calor, há dois anos eu não tinha esse tipo de conforto... Tudo graças ao meu trabalho! Sou uma pessoa feliz, é possível ser feliz lá... Tenho plano de saúde, vale alimentação, vale transporte e o chefe libera 30 minutos para o suco. Isso é que é vida... Tenho sucesso... [[Vou trabalhar hoje|Vai ao trabalho #1]] e mostrar que sou um funcionário feliz.
2 horas depois...
O dia é o mesmo, contratam uma freelancer da Dinamarca para conduzir o projeto, eu já havia acertado com meu chefe para trabalhar nesse material, todos estavam de acordo, até o colega de fora indicar a agência por já ter trabalhado com eles antes. $XX.XXX,XX era o valor do contrato. Enquanto meu salário tinha apenas um dígito e eu conseguiria produzir dez daquele projeto em um ano.
9h25...
Há uma colega nova na equipe. Ela fala de preconceito mas é preconceituosa com quem escreve errado. Os colegas a aplaudem e falam mal dela quando não está. Não sei o que é certo ou errado aqui dentro. Mas sei que o que eu ganho em um ano não condiz com o que pagam em um mês para colegas indicados por pessoas importantes. Estou cansado.
12h00...
Devo bater meu ponto, o chefe já brigou uma vez por ter batido o ponto errado, uma hora de almoço. Não posso esquecer. Os colegas me chamam para sair, mas não tenho muito tempo, tenho freelas a atender, só o salário é complicado, preciso fazer por fora e uso o almoço para isso.
13h50...
Meu parceiro está com sua irmã doente, uma outra amiga está passando pelo mesmo problema, não posso deixá-los agora, muito embora eu deseje sair daqui e a pessoa que amo me apoie, não posso abandoná-los agora.
16h37...
Acabo de sair para buscar três projetos na gráfica, a chefe X me liga, quer que eu crie dois materiais de alta complexidade e os entregue ainda hoje. Hora de negociar com meus fornecedores... Não posso fazer mais hora extra, devo bater meu ponto mas vou continuar aqui pra resolver os problemas de ultima hora.
18h03...
Fecho com um fornecedor que vai ter que segurar três integrantes de sua equipe até mais tarde. Detesto fazer isso mas vai ser o jeito.
19h00...
Ninguém da logística disponível, vou ter que caminhar até a gráfica a pé.
19h e alguns minutos depois...
Puta merda, deixei meu celular no trabalho, se me ligarem não terei como atender. Apanho os materiais na gráfica, mas esqueci de pedir a requisição de impressão da logística, nunca entendi como esse setor ficaria responsável por isso tendo um departamento financeiro e um designer gráfico lá dentro, mas tanto faz. Parece que vou ter que negociar de novo pra retirar o material sem esse documento.
19h20...
Saio da gráfica, volto para o trabalho, deixo os três materiais agendados na mesa de cada solicitante. A chefe X passa 15 minutos lamentando na minha frente como deixamos um cedilha ausente passar desapercebido com o tempo que tivemos para revisar o material.
19h40...
Apanho meus materiais, arrumo eles na bolsa, parto para casa.
22h00...
Caminho na rua de casa, ainda não chove mas o céu está claro, aparentemente a tempestade de amanhã será pior. Noites assim me entristecem pois lembram o dia em que minha mãe faleceu. Compro um churrasco de gato da esquina e levo para dar uma lanchada, não sei se meu amor cozinhou algo e também não pretendo aperriar com isso, nem fazer barulho na cozinha.
Cumprimento o vigia do prédio, ele retribui a gentileza, o elevador está com problema, vou subir pelas escadas, exercitar faz bem e preciso emagrecer. A porta da minha casa estava decorada com um "feliz natal" em letras lindas, eu conhecia aquela caligrafia, era do meu amor.
[[Abrir a porta do apartamento|Apartamento]]Depois de comer bem e ver que meu amor está em casa e já dormindo. Tomo um banho demorado, fumo um último cigarro, dessa vez sem ninguém na rua e vou [[dormir|Despertar]].Matei a saudade ao folhear cinco pastas com desenhos meus desde meus dez anos de idade. No mural havia alguns rabiscos de uma ideia de jogo que tive aos vinte anos. Um projeto ao qual embora eu falasse a respeito sempre muito carregado de paixão e amor, nunca pude me dedicar.
Havia um papel A4 que eu fazia questão de sempre olhar outra vez, nele estavam escritas as seguintes anotações:
O Sr. R é um excelente desenhista, e artista 3D, ele já declarou disponibilidade para o trabalho, desde que haja um local para trabalhar, com biscoitos e café a vontade;
A Sra. C já indicou uma excelente plataforma de financiamento coletivo e prometeu me ajudar com os contatos de possíveis investidores;
A Sra. P me deve alguns favores, prometeu me colocar em contato com a Familia M para trocar figurinhas sobre possíveis investimentos;
O Sr. M já deu disponibilidade total para utilizarmos sua infraestrutura desde que por meio de permuta dos meus serviços de Design Gráfico.
O Sr. C já garantiu seus serviços e contatos com a imprensa local desde que eu tenha XX.XXX,XX para contratá-lo por um ano, sem regime CLT.
A Fundação X assinou um contrato que garante um certo limite de serviços gráficos pelo pagamento do valor de R$ XX.XXX,XX ano que vem.
A camarada D, como pagamento pelos meus serviços voluntários na criação do projeto gráfico de seu CD e de sua identidade visual, assegurou que tenho direitos de uso das suas músicas.
[[voltar|Entrar no escritório]]Vários projetos de design que fiz ao longo dos meus cinco anos na área. Embora o computador fosse antigo, ele parecia muito bem.
[[voltar|Entrar no escritório]]Meu HD externo com todos os trabalhos criados para o meu empregador nos últimos cinco anos, mais algumas cópias dos cinco relatórios de atividades e de outras publicações que fiz questão de guardar comigo. Havia um orgulho em olhar para aqueles materiais de vez em sempre.
[[voltar|Entrar no escritório]]Os espinhos vivos me engolem e a figura estranha estende a mão para mim, a agonia é tanta que morrer pergurado parece melhor do que interagir com a criatura.
[[Morrer|Acordar Dia#1]] A figura abre a boca desesperadamente como se estivese gritando, mas sua voz sai tranquila e gelada, como se fosse o próprio medo falando comigo...
- O que temes? - Diz a figura abrindo seu maxilar mais do que um mero humano conseguiria.
[[Você sabe|Medo#1]]
[[Temo perder o meu emprego|Medo#2]]
[[Temo perder quem eu amo|Medo#3]]
[[Temo ficar só|Medo#4]]
[[Temo não realizar meus sonhos|Medo#5]]
[[fechar os olhos|Acordar Dia#1]]Sei bem que detesto gastar o que me resta de fôlego dialogando com casos perdidos, especialmente almas perdidas, que continuarão perdidas por todo o pífio tempo que lhes sobra. Não sei nada além de que és um fracassado e NÃO QUERO te ajudar a encontrar caminho algum.
[[Voltar|Diálogo com o Medo]]Todos temos, especialmente nesses tempos de insegurança e crise constante. Fazes bem em segurar o que te é certo, o sonho é para quem pode sonhar e nada de sonhos para você. Deixe esse luxo para os outros.
Tua sina é trabalhar de sol a sol, especialmente de lua a lua -risos- ninguém vai conhecer teu nome ou tuas ideias, ninguém vai conhecer tua visão de mundo e se um dia sequer tu chegasses a falar para algúem que pudesse te ajudar, esse alguém daria risadas pelas tuas costas e o teu mundo e de sonhadores como você continuaria sendo mais do mesmo.
Não percas teu tempo sonhando em empregar escritores, artistas, e outros profissionais que sofrem da tua sina nessa área criativa, essa história é coisa que você só vai ver na TV e jamais fará parte da tua vida. É apenas mais um produto da sociedade em que tu nasceste e é isso que vais continuar sendo até o fim da tua vida.
[[Voltar|Diálogo com o Medo]]Todos ficaremos sós um dia, nem que seja em uma fornalha de cremação, ou em um caixão de madeira que vai apodrecer um dia. Não duvidaria nada que a critura que tu amas encontre alguém que lhe ofereça uma vida melhor, longe de churrasquinhos imundos e portarias que não fornecem segurança alguma.
Deverias cuidar melhor do que é teu, mas não o fazes suficientemente, e todo o amor que você pensa que tem é uma grande mentira. Um dia quem te acompanha na estrada vai acordar e vai entender que você nunca realizará nada de fato. Serás para sempre amedrontado por não ter conseguido ser mais do que fracasso.
Aliás, essa palavra te define, todo dia em que você acorda.
[[Voltar|Diálogo com o Medo]]-risos-
[[Voltar|Diálogo com o Medo]]Falas como se fosse o único, és um arrogante de fato de pensar que essa dor é exclusividade tua. Pois saibas que sei como você vai morrer, e sim, quem você ama vai partir primeiro. Independente do que tu faças quando sair daqui, se conseguires sair, claro. Com tanta nicotina e cafeína nas tuas veias, acredito que vais ter um infarto antes de terminarmos essa prazerosa conversa -risos-
o amor cresce como uma árvore, mas morre um dia e todas suas lembranças serão apenas folhas secas que o vento da velhice vai levar uma a uma até que te sobres apenas a demência e o desprazer em viver uma vida sem realizações. É isso que tu és destinado a viver, não gaste meu tempo, ou melhor, o SEU tempo que já é absurdamente curto, tentando vencer o medo que te consome dia após dia.
[[Voltar|Diálogo com o Medo]]- X, é você?
- Sim Sr! Já estou a caminho!
- Preciso saber se você aceita a proposta!
[[Aceitar|Aceitar]]
[[Preciso pensar melhor|Pensar]]
[[Não aceitar|Não aceitar]]Sabíamos que você aceitaria, informarei ao superintendente. Precisamos de você aqui ainda hoje para falar sobre o relatório da Dinamarca, a agência se recusa a diagramar o resto do material pela terceira vez e [[você vai ficar responsável por ele agora|Game Over]].Game Over
[[Reiniciar|Despertar]]Pense até sexta-feira, estamos até pensando em contratar um outro designer conhecido do Sr. Y para lhe 'ajudar' já que não está dando conta.
[[Ok Sr.|Seguir à cozinha]]Como assim? X! Você é um dos nossos maiores patrimônios! Quem vai fazer a sinalização dos materiais? Quem propor medidas inovadoras e meter a mão na massa na sinalização dos nossos materiais que vão para campo? Não temos como contratar outro profissional com a sua experiência!
[[Vocês são bons demais, sempre encontrarão alguém ruim que custe mais caro, boa sorte.|Desligar]]Sinto um sopro de vida consumir meu corpo, sinto que meu pulmão respira melhor e meu coração bate forte, tão forte... Quanto há muito tempo eu não sentia... O que é isso? Caralho que sentimento foda...
Pela primeira vez em muito tempo redescubro o que é estar ao meio-dia de uma segunda-feira em casa, finalmente o sol invade todo o escritório e o contemplo, relembrando os melhoes trabalhos que fiz nos últimos tempos!
[[Entrar no escritório|O Escritório Iluminado]]Antigamente quando eu saia para trabalhar, a janela da sala iluminava apenas o lado esquerdo do meu escritório, me recordando dos meus sonhos não realizados, agora ele inteiro estava iluminado e subitamente tive um panorama geral do que eu fiz, do que fazia e do que poderia fazer. As sombras desapareceram, só restava luz e agora eu tinha tempo de fazer algo com o que estava ali naquela mesa.
[[Esquerda|Esquerda#2]]
[[Direita|Direita#2]]
[[Computador|Computador#2]]
[[Trabalhar no sonho o dia todo|Sonho]]Catei todos meus rabiscos e devaneios e os dispus na mesa, via conceitos, desenhos e ideias escritas em todos os lados e algumas começavam a surgir ao redor da minha cabeça, eu pude vislumbrar cenários se erguendo no chão do escritório, criaturas e naves que voavam e músicas épicas que tocavam.
Peguei minha lista de ouro e a deixei fixa sobre o computador. Eu resgataria todos aqueles suportes que conquistei ao longo dos anos.Aquele HD havia sido companheiro de todas aquelas aventuras por todos aqueles cinco anos, sete livros e mais um bom bocado de materiais impressos marcaram minha passagem pelo meu recém-último-emprego. Guardei ele na gaveta ao lado, com carinho e gratidão por ter vivenciado tudo o que eu pude naquele tempo. Mas uma outra estrada me aguardava.Resgatei todos os meus contatos, ao contabilizar quem já havia declarado apoio à minha ideia, tive o prazer de contar 30 contatos, dos quais cinco me responderam em quinze minutos positivamente.
Meu novo empregador, com um ano de freelas também havia respondido meu mail, tudo estava certo, eu começaria em janeiro do ano que vem, trabalhando de casa.
Excelente, é incrível o que se pode fazer quando se tem tempo para dedicar a algo.8h00...
Pedi demissão.
9h00...
5 dos 30 contatos reafirmaram o compromisso com a visão do jogo.
10h00...
Meu parceiro do coworking mandou fotos do escritório que aguardava minha equipe.
11h00...
As Sras. P. e C. agendaram reuniões com as pessoas que poderiam ser minhas possíveis investidoras. Finalmente as possibilidades se aproximavam.
12h00...
Almocei no churrasquinho de gato da esquina, e comprei ingredientes para preparar o jantar.
13h00...
Minha psicóloga parabeninza o gesto, já tinha ficado sabendo por outros colegas meus lá de dentro.
14h00...
Meu parceiro artista 3d manda um conceito que tinha criado há 3 meses atrás.
15h00...
Primeiro esboço da campanha online para revisão da Sra. C e do Sr. R.
16h00... Campanha online, estratégias de compartilhamento até as 16h30
16h30... Tomo um café quente... Fumo metade de um cigarro e apago ele por perder a vontade.
17h00... Preparo o jantar.
18h00... Janto com meu amor.
19h00... Me preparo para dormir
20h00... Finalmente... O [[sono|Despertar#2]].VOCÊ SABE O QUE TEM QUE FAZERRRRRR..
Aqueles olhos negros... Me fitavam novamente e dessa vez os vermes de um polegar caiam de sua boca... Era o barqueiro... O estranho amigo, dessa vez me encarando na entrada do vale... Eu tinha o cinzeiro, a casca e o isqueiro [[e dessa vez não deixaria o Medo me vencer|Isqueiro#3]].Coloco as cascas no cinzeiro, acendo com o isqueiro e sigo pelo vale de espinhos que se contraiam. [[sigo em frente|A clareira #2]].Ao caminhar lentamente clareira adentro, encontro três figuras etéreas as três me observam, meu peito aperta pois elas eram esguias e todas vestiam preto. A primeira tinha escaras e vermes que lhe desciam pelo rosto, ela foi a primeira a se aproximar de mim. Senti vontade de gritar e me esconder, a aflição que seus movimentos me causavam era enorme. Ocorre que dessa vez eu não tinha mais medo.
[[Socar a criatura no rosto|soco]]Eu bato com muita força no rosto da criatura, que se revela feito de porcelana e quebra com facilidade. O monstro cai, me dirijo à outra entidade que estava de braços cruzados e moveu seu rosto me seguindo com seu olhar conforme fui me aproximando. Eu estava a dois passos quando a figura disse:
- Não se preocupe, não estou aqui pra te provocar, nem te criticar. Na verdade é uma vitória que tenha chegado até aqui.
[[Socar a figura estranha|soco#2]]
[[Ficar em silêncio|silencio#1]]Em um ímpeto me lanço em direção aquele ser, e ao puxar meu braço para pegar o umpulso necessário para desferir o golpe. Ele agarra meu punho cerrado e diz, com uma feição exageradamente heróica:
- Guarde suas energias, você vai precisar delas na sua nova jornada, eu vou garantir que você tenha a coragem necessária. Agora tenho que [[te apresentar alguém|apresentação ao sonho]]Ah qual é? Vai ficar calado me encarando? Você já passou boa parte da sua vida calado, esperando o mundo ao seu redor tomar forma, esse tempo já passou. Não é mais o mundo que vai te dizer o que fazer. Vamos, você e eu temos muito trabalho a realizar e eu vou te dar a coragem necessária para isso. Agora tenho que [[te apresentar alguém|apresentação ao sonho]]Eu finalmente me senti seguro naquela clareira e a luz passou a fazer sentido com aquele ambiente, embora as figuras etéreas ainda me intimidassem, não mais me amedrontavam. A bondade em seus olhos era nítida.
A coragem me levou até aquele último ser, que estendeu sua mão esguia e negra e disse:
- Venha comigo agora, temos muitos sonhos, seus e de outros que confiam em você, apenas esperando para serem realizados.
Eu pego na mão do ser de luz. Uma grande paz invade meu coração.
[[Caminhar para a luz|para a luz]].A luz queima meus olhos e sinto cascas caírem deles. Num reflexo eu pisco e ao abri-los novamente, a pessoa que amo me desperta de forma eufórica e diz:
-Você está na TV! A camarada D. está falando sobre seu projeto no jornal do meio-dia!
Esfregando meus olhos e ainda descrente no que acabara de ouvir, caminho em direção à cozinha, na TV a camarada D. fala sobre a importância da minha visão para a nossa cidade. E convoca todos a apoiarem a ideia do financiamento coletivo que eu escrevi na noite anterior.
[[sorrir, abraçar seu amor e tomar um gole do café|happyending]]"Van Hallen - Man On A Mission" toca na rua.
Finalmente, terminou... Uma estrada se encerra para outras tantas se abrirem.
Fim